Alimentação e Bebidas

Taxa de aplicativo de delivery comendo a margem: como levar o cliente para o seu próprio canal de pedidos

Por Paulo André A. Felipe, fundador da HOD7 min de leitura

A taxa do aplicativo de delivery pesa porque é cobrada pedido a pedido, inclusive do cliente que já conhece e gosta da casa. O caminho não é sair do aplicativo, e sim usá-lo para ser encontrado e levar quem já pediu para um canal próprio. Este artigo mostra como fazer essa troca com rotina, sem perder venda no meio do caminho.

Por que a taxa do aplicativo de delivery pesa tanto na margem

A taxa do aplicativo de delivery pesa porque é cobrada pedido a pedido, inclusive do cliente que já conhece a casa e pediria de qualquer jeito. A saída não é abandonar o aplicativo, e sim usá-lo para ser encontrado e levar quem já pediu para um canal próprio, onde a venda deixa mais dinheiro no caixa.

Em outras palavras: o aplicativo é ótimo para trazer cliente novo. O problema é pagar a mesma comissão, para sempre, pelo cliente que já é seu.

Todo dono de restaurante que vende por aplicativo já fez essa conta no fim do mês. O volume de pedidos cresceu, a cozinha trabalhou mais, a equipe correu, e mesmo assim sobrou menos do que parecia. Entre comissão, taxa de pagamento, promoção bancada pela casa e embalagem, cada pedido chega ao caixa bem menor do que o valor que o cliente pagou. Quando o aplicativo vira a maior parte do delivery, essa diferença deixa de ser detalhe e passa a decidir se a operação dá lucro.

O cliente é do aplicativo ou é seu?

Essa é a pergunta que muda a forma de olhar o problema. Dentro do aplicativo, quem guarda o histórico do cliente, os pedidos, o endereço e a forma de falar com ele é a plataforma. A casa prepara a comida, mas não sabe quem pediu nem consegue chamar essa pessoa de volta por conta própria.

Na prática, o restaurante paga para conhecer o cliente e paga de novo toda vez que ele volta. É como alugar o próprio cliente.

Em mais de 20 anos trabalhando com vendas, inclusive em operações de alimentação, vejo esse padrão se repetir. Três erros aparecem quase sempre juntos:

1. Tratar o aplicativo como o único canal

O delivery nasce no aplicativo e fica só nele. Não existe um número da casa divulgado, não existe cardápio fora da plataforma, não existe motivo para o cliente pedir de outro jeito. Quando a comissão sobe ou a casa perde posição na lista, o restaurante não tem para onde correr.

2. Bancar promoção sem saber quanto ela custa

A casa entra em toda campanha da plataforma para não sumir da vitrine. O pedido entra, mas ninguém calcula quanto sobrou depois do desconto, da comissão e da taxa de pagamento. Às vezes, o prato mais vendido no aplicativo é justamente o que menos deixa dinheiro.

3. Não guardar o contato de quem já é cliente

O cliente que vem ao salão, retira no balcão ou chama no Instagram é um cliente que a casa poderia conhecer. Mas ninguém registra nome, telefone e autorização para contato. Esse cliente acaba indo para o aplicativo na próxima vez, e a casa volta a pagar comissão por alguém que já estava na sua porta.

Quer saber quanto o delivery realmente deixa no seu caixa e quais clientes já poderiam estar pedindo pelo seu próprio canal? Em 30 minutos de diagnóstico, a HOD mostra onde a margem está vazando e o que organizar primeiro.

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Como levar o cliente para o seu próprio canal de pedidos

Ter canal próprio não é lançar um aplicativo caro nem sair da plataforma de uma vez. É montar, com calma, um caminho simples para o cliente pedir direto com você. Cinco práticas fazem essa troca acontecer sem perder venda no meio.

Defina o papel de cada canal

O aplicativo é a vitrine para quem ainda não conhece a casa. O canal próprio é a casa de quem já conhece. Com esses papéis claros, você para de brigar com a plataforma e passa a usar cada canal para o que ele faz melhor. Cliente novo pode chegar pelo aplicativo. Cliente que voltou três vezes deveria estar pedindo direto.

Monte um canal que seja fácil de usar

Para muitas casas, o começo é um número de WhatsApp da empresa, com cardápio organizado, horário de atendimento claro, formas de pagamento e área de entrega definidas. O cliente precisa conseguir pedir tão rápido quanto no aplicativo. Se ele tiver que esperar vinte minutos por uma resposta, volta para a plataforma na mesma hora. Organizar esse atendimento é o mesmo trabalho de atender pelo WhatsApp para vender mais, aplicado ao pedido de comida.

Dê um motivo real para pedir direto

O cliente não troca de canal porque a casa pediu. Troca porque ganha alguma coisa. Pode ser um preço um pouco melhor no canal próprio, um item que só existe ali, um combo da casa, uma entrega mais rápida na região próxima ou um programa simples de recompensa para quem pede sempre. O importante é que o motivo caiba na margem que você economiza ao não pagar a comissão.

Comece pelos clientes que já estão na sua porta

Quem come no salão, retira no balcão ou segue a casa no Instagram já conhece o restaurante. É por aí que o canal próprio começa a crescer. Peça nome, telefone e autorização para contato na conta, na retirada ou no cadastro da reserva. A mesma lista que ajuda a encher o restaurante durante a semana serve para levar o cliente ao delivery próprio.

Chame o cliente de volta com rotina

Com a lista montada, o canal próprio deixa de depender de quem lembrar da casa. Um aviso do prato novo, o combo da sexta, o lembrete para quem não pede há algumas semanas. Poucas mensagens, sempre com motivo útil. Um dos resultados que a HOD acompanhou foi o da Troppo, que chegou a R$ 10 mil por mês recorrentes em delivery em 6 meses. Cada casa tem a sua realidade, mas o princípio vale: o pedido que volta sozinho custa menos do que o pedido que precisa ser comprado de novo toda vez.

O que acompanhar todo mês no delivery

Sem número, o canal próprio vira só mais uma tarefa. Quatro perguntas, respondidas todo mês, mostram se a troca está funcionando:

  • Quanto sobra, em reais, de cada pedido em cada canal? Depois de comissão, taxa de pagamento, desconto e embalagem.
  • Que parte dos pedidos já vem pelo canal próprio? Se essa parte não cresce, o motivo para pedir direto não está claro.
  • Quantos contatos novos entraram na lista? É a matéria-prima do canal próprio.
  • Quantos clientes pediram de novo? Recompra é o sinal de que o canal próprio virou hábito.

Quando esses números passam a ser olhados com frequência, a conversa sobre a taxa do aplicativo deixa de ser reclamação e vira decisão. Você sabe quanto cada canal vende, quanto cada um deixa no caixa e onde vale investir.

Por onde começar nesta semana

Você não precisa mudar o delivery inteiro de uma vez. Três decisões já colocam a casa no caminho:

  1. Calcule quanto sobra de um pedido médio no aplicativo. Pegue um mês de vendas e desconte tudo o que a plataforma e a promoção levaram. Esse número mostra o tamanho da oportunidade.
  2. Organize um número da empresa para pedidos. Com cardápio, horário e alguém responsável por responder rápido.
  3. Comece a registrar quem já é cliente. No salão, no balcão e nas redes, com autorização. Em poucas semanas, essa lista vira a base do seu canal próprio.

O aplicativo pode continuar sendo um bom parceiro para trazer gente nova. A diferença é que, a partir daí, cada cliente que gostou da sua comida passa a ter um caminho direto até você.

Quando faz sentido ter ajuda de fora

Se o delivery já é uma parte grande do faturamento e você sente que trabalha mais para sobrar menos, uma consultoria de vendas para alimentação e bebidas pode encurtar o caminho. O trabalho da HOD é organizar os canais de pedido, o registro de quem compra, o atendimento e a rotina de chamar o cliente de volta, para que o restaurante dependa menos da comissão do aplicativo e tenha mais previsibilidade no caixa.

Perguntas frequentes

Vale a pena sair do aplicativo de delivery?
Para a maioria das casas, não de uma vez. O aplicativo traz gente que nunca ouviu falar do restaurante, e esse papel é difícil de substituir. O que costuma funcionar melhor é manter o aplicativo como vitrine para cliente novo e levar para o canal próprio quem já pediu e gostou.
Posso colocar um folheto do meu canal próprio dentro do pedido do aplicativo?
Antes de fazer isso, leia as regras do contrato com o aplicativo, porque algumas plataformas restringem esse tipo de material. Um caminho mais seguro é investir nos clientes que já chegam por outros meios, como o salão, a retirada no balcão, o Instagram e o WhatsApp, e oferecer no canal próprio um motivo claro para pedir por ali.
Preciso de um aplicativo próprio para ter canal de pedidos?
Não necessariamente. Para muitas casas, um número de WhatsApp da empresa com cardápio organizado, horário claro e alguém responsável por responder já resolve o começo. O que importa é o cliente conseguir pedir com facilidade e a casa guardar o contato de quem pediu para chamar de novo.

Diagnóstico de 30 minutos

Descubra onde a sua venda está escapando.

Em 30 minutos de diagnóstico, você descobre o que corrigir primeiro. Se fizer sentido seguir com a HOD, ótimo. Se não fizer, você sai com o mapa na mão do mesmo jeito.